Sopro no coração

Sopro no coração: quais exames o cardiologista pediátrico pede

Sopro no coração não é diagnóstico: é um som percebido na ausculta e, na infância, muitas vezes acontece em um coração sem alterações. Nem todo sopro precisa de exame. Quando há dúvida, o eletrocardiograma e o ecocardiograma complementam a avaliação e ajudam a esclarecer a origem do sopro.

Publicado em
10 de agosto de 2026
Última revisão médica
30 de setembro de 2026

Em resumo

O que este texto responde

  • Sopro no coração é um som produzido pela passagem do sangue pelo coração e percebido durante a ausculta no exame físico.
  • Na infância, muitos sopros são inocentes e acontecem em um coração sem alterações estruturais.
  • O eletrocardiograma e o ecocardiograma estão entre os principais exames complementares da avaliação cardiológica infantil e fornecem informações diferentes sobre o coração.
  • A necessidade de exames depende da idade da criança, das características do sopro, dos sintomas, do exame físico e da história familiar.
  • Quando indicados, eu mesma realizo o eletrocardiograma e o ecocardiograma, que podem ser feitos no mesmo atendimento da consulta.
  • Os exames ajudam a identificar a origem do sopro e diferenciar um sopro inocente daquele relacionado a alguma alteração cardíaca.

O pediatra examinou seu filho e disse que ouviu um sopro no coração. Para muitas famílias, a primeira preocupação é saber se isso significa uma doença e quais exames a criança precisará fazer.

A primeira informação importante é: sopro não é um diagnóstico. É um som produzido pela passagem do sangue pelo coração e percebido pelo médico durante a ausculta.

Na infância, é um achado frequente e, muitas vezes, acontece em um coração sem alterações estruturais. Então, como saber quando é necessário investigar?

Todo sopro no coração precisa de exame?

Não necessariamente. A decisão depende da idade da criança, das características do sopro na ausculta, da presença de sintomas, do exame cardiovascular e da história pessoal e familiar.

O sopro é muito comum na infância. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), entre 50% e 70% das crianças apresentam um sopro em algum momento da infância ou adolescência.

Na maioria das vezes, trata-se de um sopro inocente, sem associação com doença cardíaca.

A SBP explica que o sopro resulta da turbulência do fluxo sanguíneo, que produz vibrações percebidas pelo médico durante a ausculta com o estetoscópio.

Muitos sopros são identificados em consultas de rotina ou ficam mais perceptíveis em situações como febre, anemia e outros quadros que aumentam a velocidade do fluxo sanguíneo.

Quando as características da ausculta ou outros achados deixam dúvida, o eletrocardiograma e o ecocardiograma podem complementar a avaliação.

O que o eletrocardiograma mostra no coração da criança?

O eletrocardiograma infantil registra a atividade elétrica do coração, permitindo avaliar o ritmo, a frequência cardíaca e a condução do estímulo. Na investigação de um sopro, também pode mostrar sinais indiretos de sobrecarga das câmaras cardíacas.

É importante lembrar que o eletrocardiograma da criança tem características próprias em cada fase do crescimento e, por isso, sua interpretação utiliza parâmetros diferentes dos adotados para adultos.

É um exame rápido, indolor e realizado com eletrodos adesivos colocados sobre a pele. Na minha consulta, costumo deixá-lo para o final, quando a criança já está mais familiarizada comigo e com o ambiente.

Algumas crianças ficam receosas com os fios e imaginam que o aparelho possa dar choque. Por isso, explico antes que o eletrocardiograma apenas registra os sinais do coração, sem emitir choque, sem picada e sem dor.

Para que serve o ecocardiograma na investigação do sopro?

O ecocardiograma pediátrico é um ultrassom do coração. Ele permite avaliar seus aspectos anatômicos e funcionais, além do fluxo sanguíneo. Com imagem e em tempo real.

Na investigação de um sopro, pode ajudar a identificar se existe alguma alteração estrutural relacionada ao achado da ausculta, como alterações das valvas ou comunicações entre as cavidades cardíacas.

É um exame indolor e sem radiação, realizado com gel e um transdutor sobre o tórax.

Quando indicado, eu mesma realizo o ecocardiograma e ele pode ser feito no mesmo atendimento da consulta, permitindo integrar a história da criança, o exame cardiovascular e os achados da imagem.

O sopro sempre significa cardiopatia congênita?

Não. Sopro e cardiopatia congênita não são sinônimos. O sopro é um achado da ausculta. Já a cardiopatia congênita é uma alteração na formação do coração presente desde o nascimento.

Muitas crianças apresentam sopro inocente e não têm qualquer alteração estrutural. Em outras, o sopro pode ser justamente o primeiro sinal que leva à investigação e ao diagnóstico de uma cardiopatia.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 1 em cada 100 nascidos vivos apresenta alguma cardiopatia congênita, o que reforça a importância do diagnóstico adequado.

Por isso, a presença de um sopro não significa que exista uma doença. A avaliação cardiológica permite entender sua origem, diferenciar um sopro inocente daquele relacionado a uma alteração cardíaca e definir se há necessidade de acompanhamento.

Como é a sequência dos exames na consulta

A avaliação começa antes de qualquer aparelho. Primeiro, converso com a família para entender quando o sopro foi identificado, em que situação isso aconteceu, se já havia sido percebido anteriormente, se a criança apresenta sintomas e se existe algum antecedente pessoal ou familiar importante.

Depois, realizo o exame físico e a ausculta cardiovascular. A partir desses achados, defino se algum exame complementar é necessário. Quando indicados, o ecocardiograma e o eletrocardiograma podem ser realizados no mesmo atendimento.

Nem toda criança precisa fazer os mesmos exames. O objetivo é individualizar a investigação e solicitar aquilo que realmente ajuda a responder à dúvida de cada caso.

Ao final, explico os achados à família e, quando existe alguma alteração, costumo desenhar o coração para mostrar onde ela está e facilitar a compreensão.

Quando procurar o cardiologista pediátrico por causa de um sopro?

Quando um sopro é identificado, algumas características ajudam a definir a necessidade e o momento da avaliação cardiológica.

Merecem atenção especial os sopros identificados no recém-nascido ou nas primeiras semanas de vida, sopros intensos ou com características atípicas e situações acompanhadas de sintomas.

Cansaço ou suor excessivo durante as mamadas, respiração acelerada, dificuldade para ganhar peso, cianose, desmaios e sintomas relacionados ao esforço são alguns sinais que precisam ser considerados.

O histórico familiar de cardiopatias, arritmias ou morte súbita em pessoas jovens também faz parte da avaliação.

Na dúvida, o cardiologista pediátrico pode ajudar a definir se o sopro é inocente ou se existe necessidade de investigação e acompanhamento.

Perguntas frequentes sobre o sopro no coração da criança

Sopro no coração da criança é perigoso?

Na maioria das vezes, não. Muitos sopros na infância são inocentes e acontecem em um coração sem alterações estruturais. A avaliação considera as características do sopro, a idade da criança, a presença de sintomas e outros achados clínicos para definir se é necessário investigar.

Quais exames podem ser necessários para investigar um sopro?

O eletrocardiograma e o ecocardiograma estão entre os principais exames complementares da avaliação cardiológica infantil, mas fornecem informações diferentes. O eletrocardiograma avalia a atividade elétrica do coração, enquanto o ecocardiograma avalia seus aspectos anatômicos e funcionais e o fluxo sanguíneo. Nem toda criança com sopro precisa realizar os dois exames, a indicação é individualizada.

O sopro no coração desaparece com o crescimento?

Muitos sopros inocentes podem ficar menos perceptíveis ou deixar de ser ouvidos conforme a criança cresce. Eles acontecem em um coração sem alterações estruturais e, portanto, não há nada que precise “fechar”. Já algumas pequenas alterações cardíacas, como uma comunicação interventricular (CIV) muscular, também podem produzir sopro e apresentar fechamento espontâneo ao longo do crescimento. A avaliação cardiológica diferencia essas situações.

Preciso repetir o ecocardiograma com o tempo?

Depende do que foi encontrado. Quando o sopro é inocente e não há alteração cardiovascular que precise de acompanhamento, não é necessário repetir o ecocardiograma apenas porque o sopro continua sendo ouvido. Quando existe uma cardiopatia ou outro achado que precise ser acompanhado, o intervalo entre consultas e exames é definido de forma individualizada.

Avaliação de sopro no coração com a Dra. Bruna Carapeba

Sou a Dra. Bruna Carapeba, pediatra com atuação em Cardiologia Pediátrica, com mais de 13 anos dedicados à área e formação em Cardiologia Pediátrica pelo InCor – FMUSP e em Ecocardiografia Pediátrica e Fetal.

A avaliação de crianças com sopro faz parte da minha rotina. Quando indicados, eu mesma realizo o eletrocardiograma e o ecocardiograma, que podem ser feitos no mesmo atendimento da consulta. Atendo em Moema, São Paulo, e em Presidente Prudente.

O objetivo é que a família saia da avaliação entendendo o que aquele sopro significa, se existe alguma alteração e se há necessidade de acompanhamento.

CRM 129162/SP · Pediatria RQE 71317 · Cardiologia Pediátrica (área de atuação) RQE 713171
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