Em 29 de setembro, o Dia Mundial do Coração chama atenção para a prevenção das doenças cardiovasculares. Embora muitas campanhas sejam voltadas à saúde dos adultos, os cuidados com o coração começam ainda na infância.
No consultório, uma pergunta é frequente entre os pais: como saber se o coração de uma criança está saudável?
A resposta começa antes mesmo de uma consulta cardiológica: na maneira como a criança cresce, ganha peso, brinca, se alimenta e realiza atividades físicas, sem apresentar cansaço ou falta de ar fora do habitual. Esse conjunto de informações faz parte do acompanhamento realizado pelo pediatra nas consultas de rotina.
O crescimento normal já indica que o coração da criança vai bem?
Em geral, o crescimento adequado, o bom ganho de peso e a disposição para as atividades do dia a dia são sinais tranquilizadores.
Esses sinais são acompanhados pelo pediatra nas consultas de rotina, em conjunto com a história clínica, o exame físico e a ausculta cardíaca, que é o momento em que um sopro no coração costuma ser percebido pela primeira vez.
Entretanto, crescer bem e não apresentar sopro ou sintomas não exclui todas as alterações cardíacas: algumas cardiopatias podem permanecer silenciosas por um período e ser suspeitadas apenas pelo exame físico, pela história familiar ou por alguma alteração identificada durante a prática esportiva.
O acompanhamento pediátrico de rotina identifica a maior parte dos sinais de alerta. Quando surge uma dúvida específica, o pediatra encaminha ao cardiologista pediátrico, que pode aprofundar a investigação e, quando necessário, realizar exames como o eletrocardiograma ou ecocardiograma.
Um sopro encontrado na consulta de rotina é motivo de alarme?
Na maioria das vezes, não. O sopro é um som produzido pela passagem do sangue pelo coração e percebido pelo médico durante a ausculta. Ele é um achado do exame físico, e não um diagnóstico.
Na infância, os batimentos cardíacos são naturalmente mais acelerados e a parede torácica em desenvolvimento é mais fina, o que pode tornar os sons do fluxo sanguíneo mais perceptíveis ao estetoscópio (aparelho utilizado para ouvir o coração). Situações que aumentam a frequência cardíaca, como febre, agitação ou anemia, podem tornar um sopro ainda mais evidente.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre 50% e 70% das crianças apresentam um sopro em algum momento da infância ou adolescência, e a maioria é do tipo inocente (também chamado de fisiológico), sem relação com alteração estrutural do coração.
Durante a consulta, costumo perguntar em que momento aquele sopro foi escutado pela primeira vez: se foi em uma avaliação de rotina ou em alguma situação específica, como durante um quadro febril. Também avalio as características do sopro, a presença de sintomas e a história clínica e familiar da criança.
Quando possível, gosto de deixar os pais ouvirem o sopro pelo estetoscópio. Esse momento ajuda a tornar a explicação mais concreta e permite esclarecer, com tranquilidade, por que aquele som apresenta características de um sopro inocente ou por que merece investigação complementar.
Quais sinais no dia a dia merecem atenção?
Alguns sinais e sintomas devem ser conversados com o pediatra ou avaliados pelo cardiologista pediátrico:
- cansaço desproporcional às atividades;
- falta de ar fora do habitual;
- lábios, língua ou pele com coloração arroxeada;
- dificuldade para ganhar peso;
- dor no peito ou palpitações durante o esforço físico;
- tontura ou desmaio, principalmente durante o exercício;
- redução da disposição para brincar ou praticar esportes.
Nos bebês, cansaço, respiração acelerada ou suor excessivo durante as mamadas, pausas frequentes para mamar e dificuldade para ganhar peso também merecem atenção.
Esses sinais e sintomas ajudam a definir se existe necessidade de encaminhamento para investigação com o cardiologista pediátrico.
A história familiar de cardiopatias, arritmias ou morte súbita em pessoas jovens é outro ponto importante, porque pode indicar necessidade de avaliação mesmo sem sintomas.
Cianose, desmaio durante o exercício, dor no peito associada ao esforço ou falta de ar intensa não devem aguardar a próxima consulta de rotina e precisam de avaliação médica mais rápida.
O Dia Mundial do Coração muda alguma coisa no acompanhamento da criança?
Não muda a rotina do acompanhamento, mas o Dia Mundial do Coração funciona como um lembrete de que os cuidados com o coração devem começar na infância e continuar ao longo da vida.
Comigo, esse cuidado com o coração pode ser realizado em Presidente Prudente ou em São Paulo. Quando há indicação, a avaliação pode incluir a consulta cardiológica, o eletrocardiograma e o ecocardiograma no mesmo dia.
Essa integração permite relacionar os sintomas e os achados do exame físico aos resultados dos exames de forma imediata. Além de tornar a investigação mais ágil, pode evitar novos deslocamentos e diferentes agendamentos, reduzir o tempo de espera por uma definição e aliviar a ansiedade da família diante de uma possível alteração no coração.
Ao final do atendimento, explico os resultados em linguagem clara e oriento os próximos passos. Em muitos casos, a família já sai com a avaliação concluída; quando há necessidade de acompanhamento ou investigação adicional, o seguimento é definido de maneira individualizada.