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Dia Mundial do Coração: como saber se o coração da criança vai bem

O Dia Mundial do Coração, em 29 de setembro, lembra que o cuidado com a saúde cardiovascular começa na infância. Crescimento adequado, bom ganho de peso e disposição para brincar costumam ser sinais indiretos de que o coração da criança vai bem. O sopro é um achado frequente e, na maioria das vezes, inocente. Já sinais como cansaço desproporcional, falta de ar, lábios arroxeados, desmaio, dor no peito durante o esforço e dificuldade para ganhar peso pedem avaliação médica.

Publicado em
29 de setembro de 2026
Última revisão médica
30 de setembro de 2026

Em resumo

O que este texto responde

  • Crescer bem, ganhar peso e ter disposição para brincar são sinais tranquilizadores, mas não excluem todas as alterações cardíacas: algumas cardiopatias ficam silenciosas por um tempo.
  • O sopro encontrado na consulta de rotina é um achado do exame, não um diagnóstico. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre 50% e 70% das crianças têm um sopro em algum momento, e a maioria é inocente.
  • Cianose, desmaio ou dor no peito durante o exercício e falta de ar intensa não devem esperar a próxima consulta de rotina.
  • Quando há indicação, a consulta com o cardiologista pediátrico, o eletrocardiograma e o ecocardiograma podem ser feitos no mesmo atendimento.

Em 29 de setembro, o Dia Mundial do Coração chama atenção para a prevenção das doenças cardiovasculares. Embora muitas campanhas sejam voltadas à saúde dos adultos, os cuidados com o coração começam ainda na infância.

No consultório, uma pergunta é frequente entre os pais: como saber se o coração de uma criança está saudável?

A resposta começa antes mesmo de uma consulta cardiológica: na maneira como a criança cresce, ganha peso, brinca, se alimenta e realiza atividades físicas, sem apresentar cansaço ou falta de ar fora do habitual. Esse conjunto de informações faz parte do acompanhamento realizado pelo pediatra nas consultas de rotina.

O crescimento normal já indica que o coração da criança vai bem?

Em geral, o crescimento adequado, o bom ganho de peso e a disposição para as atividades do dia a dia são sinais tranquilizadores.

Esses sinais são acompanhados pelo pediatra nas consultas de rotina, em conjunto com a história clínica, o exame físico e a ausculta cardíaca, que é o momento em que um sopro no coração costuma ser percebido pela primeira vez.

Entretanto, crescer bem e não apresentar sopro ou sintomas não exclui todas as alterações cardíacas: algumas cardiopatias podem permanecer silenciosas por um período e ser suspeitadas apenas pelo exame físico, pela história familiar ou por alguma alteração identificada durante a prática esportiva.

O acompanhamento pediátrico de rotina identifica a maior parte dos sinais de alerta. Quando surge uma dúvida específica, o pediatra encaminha ao cardiologista pediátrico, que pode aprofundar a investigação e, quando necessário, realizar exames como o eletrocardiograma ou ecocardiograma.

Um sopro encontrado na consulta de rotina é motivo de alarme?

Na maioria das vezes, não. O sopro é um som produzido pela passagem do sangue pelo coração e percebido pelo médico durante a ausculta. Ele é um achado do exame físico, e não um diagnóstico.

Na infância, os batimentos cardíacos são naturalmente mais acelerados e a parede torácica em desenvolvimento é mais fina, o que pode tornar os sons do fluxo sanguíneo mais perceptíveis ao estetoscópio (aparelho utilizado para ouvir o coração). Situações que aumentam a frequência cardíaca, como febre, agitação ou anemia, podem tornar um sopro ainda mais evidente.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre 50% e 70% das crianças apresentam um sopro em algum momento da infância ou adolescência, e a maioria é do tipo inocente (também chamado de fisiológico), sem relação com alteração estrutural do coração.

Durante a consulta, costumo perguntar em que momento aquele sopro foi escutado pela primeira vez: se foi em uma avaliação de rotina ou em alguma situação específica, como durante um quadro febril. Também avalio as características do sopro, a presença de sintomas e a história clínica e familiar da criança.

Quando possível, gosto de deixar os pais ouvirem o sopro pelo estetoscópio. Esse momento ajuda a tornar a explicação mais concreta e permite esclarecer, com tranquilidade, por que aquele som apresenta características de um sopro inocente ou por que merece investigação complementar.

Quais sinais no dia a dia merecem atenção?

Alguns sinais e sintomas devem ser conversados com o pediatra ou avaliados pelo cardiologista pediátrico:

  • cansaço desproporcional às atividades;
  • falta de ar fora do habitual;
  • lábios, língua ou pele com coloração arroxeada;
  • dificuldade para ganhar peso;
  • dor no peito ou palpitações durante o esforço físico;
  • tontura ou desmaio, principalmente durante o exercício;
  • redução da disposição para brincar ou praticar esportes.

Nos bebês, cansaço, respiração acelerada ou suor excessivo durante as mamadas, pausas frequentes para mamar e dificuldade para ganhar peso também merecem atenção.

Esses sinais e sintomas ajudam a definir se existe necessidade de encaminhamento para investigação com o cardiologista pediátrico.

A história familiar de cardiopatias, arritmias ou morte súbita em pessoas jovens é outro ponto importante, porque pode indicar necessidade de avaliação mesmo sem sintomas.

Cianose, desmaio durante o exercício, dor no peito associada ao esforço ou falta de ar intensa não devem aguardar a próxima consulta de rotina e precisam de avaliação médica mais rápida.

O Dia Mundial do Coração muda alguma coisa no acompanhamento da criança?

Não muda a rotina do acompanhamento, mas o Dia Mundial do Coração funciona como um lembrete de que os cuidados com o coração devem começar na infância e continuar ao longo da vida.

Comigo, esse cuidado com o coração pode ser realizado em Presidente Prudente ou em São Paulo. Quando há indicação, a avaliação pode incluir a consulta cardiológica, o eletrocardiograma e o ecocardiograma no mesmo dia.

Essa integração permite relacionar os sintomas e os achados do exame físico aos resultados dos exames de forma imediata. Além de tornar a investigação mais ágil, pode evitar novos deslocamentos e diferentes agendamentos, reduzir o tempo de espera por uma definição e aliviar a ansiedade da família diante de uma possível alteração no coração.

Ao final do atendimento, explico os resultados em linguagem clara e oriento os próximos passos. Em muitos casos, a família já sai com a avaliação concluída; quando há necessidade de acompanhamento ou investigação adicional, o seguimento é definido de maneira individualizada.

Perguntas frequentes sobre a saúde do coração da criança

Toda criança precisa fazer eletrocardiograma ou ecocardiograma?

Não. A indicação de exames complementares depende da história clínica e familiar, da idade da criança, dos sintomas e dos achados do exame físico.

Nem toda criança precisa realizar eletrocardiograma ou ecocardiograma. Quando estão indicados, realizo pessoalmente os dois exames, que podem ser feitos no mesmo atendimento da consulta, de acordo com a necessidade de cada caso.

O Dia Mundial do Coração é voltado só para adultos?

Não. Embora muitas campanhas deem maior destaque às doenças cardiovasculares dos adultos, os cuidados com o coração começam na infância.

Acompanhamento pediátrico, alimentação equilibrada, atividade física, avaliação da pressão arterial, atenção aos sintomas e conhecimento da história familiar ajudam a construir a saúde cardiovascular desde os primeiros anos de vida.

Um sopro no coração da criança desaparece com o crescimento?

Depende do tipo de sopro. Muitos sopros inocentes ficam menos perceptíveis ou deixam de ser ouvidos conforme a criança cresce.

Os sopros relacionados a alterações estruturais do coração precisam de acompanhamento, e a evolução varia de acordo com a origem e o tratamento. A avaliação com o cardiologista pediátrico diferencia essas situações.

Quando devo procurar o cardiologista pediátrico em vez de esperar a próxima consulta de rotina?

A avaliação é indicada quando há um sopro com características patológicas ou que gere dúvida, sintomas cardiovasculares, alteração em algum exame ou histórico familiar relevante.

Cansaço fora do habitual, falta de ar, cianose, palpitações, dificuldade para ganhar peso, dor no peito ou desmaio durante o esforço não devem ser ignorados. Sintomas intensos ou que aparecem durante o exercício precisam de avaliação sem esperar a próxima consulta de rotina.

Na ausência de sintomas ou achados específicos, o acompanhamento regular com o pediatra costuma ser suficiente. Ele poderá indicar uma avaliação cardiológica sempre que houver necessidade.

Saúde do coração da criança com a Dra. Bruna Carapeba

Sou a Dra. Bruna Carapeba, cardiologista pediátrica, com atuação em ecocardiografia pediátrica e fetal. CRM 129162/SP, Pediatria (RQE 71317) e Cardiologia Pediátrica, área de atuação (RQE 713171). Há mais de 13 anos, dedico meu trabalho ao cuidado do coração de bebês, crianças e adolescentes e já realizei mais de 10 mil ecocardiogramas.

Atendo em Moema, São Paulo, e em Presidente Prudente. Durante a consulta, avalio a história clínica, o crescimento, os sintomas e o exame físico da criança. Quando há indicação, realizo pessoalmente o eletrocardiograma e o ecocardiograma, que podem ser feitos no mesmo atendimento.

Essa integração permite esclarecer dúvidas com mais agilidade, reduzir o tempo de espera pelo diagnóstico e tornar o processo mais tranquilo para a criança e sua família.

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